
Originalmente publicado em 3 de maio de 2018
Existem muitas maneiras de analisar a ocorrência dos desvios da qualidade e buscar encontrar as causas raízes que provocaram tais desvios. Cuidar para evitar recorrências é atividade de rotina de muitos técnicos e analistas que usam uma infinidade de ferramentas da qualidade em estudos detalhados e criteriosos.
Atenção ao "Momento" no estudo da
causa raiz
Um dos muitos pontos interessantes, que eu considero como crítico, no tratamento de desvios da qualidade é a variável tempo. Em outras palavras, além dos famosos 6M’s na análise dos problemas, coloco mais um “M” que merece atenção, em outra dimensão, e que deve ser levado em conta com os demais, a saber: Materiais, Máquinas, Métodos, Mão de Obra, Medidas e Meio. Este “M” é o “M” de "momento".
Analisar a hora, o dia e o mês da ocorrência, pode nos conduzir a certos horários críticos nos quais aumentam as possibilidades de desvios; e assim, estabelecer medidas preventivas eficazes. Isso, seguramente, ode evitar possíveis recorrências.
Evitando a "Má-fé" como causa raiz
Outro “M” nos leva a casos históricos de
constrangimentos que colocaram empresas e suas marcas na mídia causando
prejuízos e perdas. Este “M” está dissimulado no braço do “M” da mão de
obra e, muitas vezes, é imediata e erradamente pinçado como referência na busca
da causa raiz.
Colocando em exemplo:
Em março de 2015, a presença de um parafuso
dentro de um frasco de suspensão oral, provocou uma grande empresa farmacêutica
a recolher de maneira voluntária todas as unidades do lote suspeito. A resposta
de como o parafuso foi parar dentro do frasco foi um exercício obrigatório para
os técnicos da companhia.
Poderiam existir muitos indícios. Causas
possíveis? Várias. Afinal, um corpo estranho em frasco de medicamento é um erro
que ocorre há décadas! Em outras palavras, a empresa não estava a protagonizar
o primeiro caso de parafuso dentro da embalagem primária...
Empegando os 6 “M’s”, o “M” de máquina
poderia ser o escolhido, quando por questões de ajuste, uma trepidação
indesejada teria provocado a queda do parafuso. O “M” de método também poderia
ficar bem cotado, quando por questões de “setup” ou de liberação de linha, o
desvio teve oportunidade de ocorrer.
O “M” de mão-de-obra poderia ser forte
candidato se houvesse indícios de falta de treinamentos específicos.
O perigo em análise e tratamento de desvios
da qualidade deste tipo é trabalhar, de imediato, com as hipóteses não
declaradas de “M’s” que ficam dependuradas no “M” da mão-de-obra. Uma delas, um
desvio da qualidade “plantado” pelo “M” de “Má-fé”…
...Isso mesmo! "O parafuso foi
colocado propositadamente por alguém com má-fé!".
Apesar de ser o pior dos “M’s” não deve ser
considerado de imediato.
Uma análise mais apurada pode indicar que a
causa raiz para a ocorrência de desvios assim pode estar no “M” do
"Meio", uma vez que os ambientes de trabalho sem os devidos controles
propiciam ações delituosas. Em outras palavras, uma demissão não trata a
causa raiz e a empresa continua vulnerável a outros ataques do mesmo tipo!
#qualidade #desviodaquallidade
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